OPINIÕES:


O livro fez com que eu entrasse em crise. Envolver um leitor a esse ponto talvez seja o maior anseio de um escritor e também, vale dizer, sua maior dificuldade. Fácil é produzir algo que alguém simplesmente goste ou não, entretanto, algo que fique martelando lá dentro quando tudo acaba, acredito que seja um pouco mais complicado. Isso prova o quanto Bellotto cresceu no decorrer de suas obras, explorando, cada vez mais, o íntimo de seus personagens e fazendo com que nós, leitores, nos interessemos por eles da mesma forma, ou até mais ( e esse é meu caso) que pelo desenrolar da trama em si.

No Buraco é, em minha opinião, uma grande interpretação de um ditado que me incomoda muito, “nadou, nadou e morreu na praia”. Teo Zanquis parece ter tentado de tudo e fracassado em tudo. Embora seja uma ótima companhia e, aparentemente, excelente com as mulheres, é um sujeito que não só se considera um músico decadente ( e é), mas transformou seu espírito nisso quando, até certo ponto de sua vida, era o contrário. Talvez porque agora ele tenha tempo para pensar, e refletir demais é mesmo angustiante. Por conhecer muito bem alguém extremamente parecido com Zanquis, me identifiquei facilmente e talvez isso tenha contribuído o bastante para a minha avaliação de No Buraco, confesso.

A narrativa apurada, sedutora e bem humorada de Tony Bellotto torna a leitura leve e gera em nós, leitores e leitoras, uma ânsia por terminá-la, consumi-la, o quanto antes. No entanto, não é este o ponto culminante de No Buraco, mas a maneira como Tony aborda a concepção do tempo em cada momento da vida de seu personagem que ora parece julgar tê-lo de sobra, acreditando poder fazer tudo e mais um pouco, e ora se vê lutando contra o tempo. O modo como Zanquis se confronta com o tempo é absolutamente realista e, por isso mesmo, interessante. E foi, sem dúvidas, a principal razão da minha crise existencial pós-leitura. E é por todas essas razões que indico a leitura de No Buraco, um romance divertido e ao mesmo tempo intrigante.


(Laís Bastos da Silva, Curitiba/PR)


Se você leu o livro "No Buraco", do Tony Bellotto, e também quer dar a sua opinião, mande um e-mail para: equipe@planetatitas.net.

O buraco do Bellotto

"Capitu traiu ou não traiu Bentinho"? Durante lançamento de seu novo livro, No Buraco, em Belo Horizonte, Tony Bellotto foi confrontado por uma pessoa da plateia com a questão mais famigerada da literatura brasileira. "Traiu, claro que traiu", respondeu o escritor - sim, ali estava o escritor - sem pestanejar. Eu, sinceramente, prefiro não assumir nenhuma opinião com tanta veemência. Opto pelo benefício da dúvida. Também opto pelo benefício da dúvida ao cair na tentação de tentar (pleonasmo?) descobrir se todos aqueles imbróglios vividos pelo narrador-personagem de No Buraco, Teo Zanquis, nos bastidores do rock nacional dos anos 80, são apenas criações da mente fértil de Bellotto ou relatos autobiográficos camuflados pela literatura. Seja como for, a viagem ao período mais prolífero e colérico da música brasileira, vem costurada pelas crises existenciais de um músico que fracassou, por uma treta com uma máfia coreana e até pela descoberta de uma paixonite tardia. Tudo relatado com uma acidez e uma agilidade que mostram como a narrativa de Tony Bellotto tem ficado cada vez mais apurada. Destaco aqui a peculiar adjetivação desenvolvida pelo autor. Trechos como "Lien concluiu, surpresa, depois de melecar o cordoamento de Isabel com óleo cancerígeno reaproveitado na fritura de pastéis ambíguos" e "Uma espécie de Joana D'arc praiana, imolada por abobrinhas incandescentes, bobajadas inflamáveis e babaquices flamejantes", revelam a irreverência de Teo Zanquis e arranca risadas. Eu, pelo menos, ri. E alto. Mas logo disfarcei. Não queria que Teo chamasse minha atenção. Porque, sim, ele faz isso o tempo todo. Conversa com o leitor. Uma das sacadas machadianas usadas por Bellotto. Uma das. Vale dizer também que No Buraco tem algo de motivacional. Não, não. Tony Bellotto não se enveredou pela literatura de autoajuda. Mas é que Teo Zanquis está tão na merda que qualquer se sente bem depois de ler esse livro. Sabe aquela sensação de "é, tem sempre alguém pior que eu"? Pois é. Teo está mais no buraco que qualquer um. Está no buraco literalmente, pois narra sua história com o rosto enterrado num buraco na areia da praia de Ipanema. Está no buraco figurativamente, pois vive num estado de letargia e acomodação desde que sua one hit band afundou no fracasso após uma meteórica e vertiginosa carreira. E está - ou pelo menos esteve - no buraco sexualmente. Mas estes ele frequentou com louvor no sucesso e no fracasso.

Ao terminar de ler o livro me lembrei de uma história que aconteceu comigo e alguns amigos numa praia do Rio, no início do ano. Avistamos, de longe, um homem deitado na areia - e já era noite - tal como o narrador-personagem de No Buraco se mantém o livro inteiro. Desafiada pelos amigos, e pela cerveja, corri em direção ao homem e saltei sobre ele. Ao senti a lufada de areia que meus pés jogaram sobre suas costas, o homem reagiu, murmurando: "Ui". Só não digo que era Teo Zanquis porque Teo Zanquis, sem bem conheço, não reagiria dizendo "ui".

(Fernanda Pinho, Belo Horizonte/MG)


"Téo bem que merecia fazer sucesso até os dias atuais, mas outro lado, não conheceríamos suas hilárias e trágicas histórias. Apesar de atrapalhado, é um bom sujeito. È todo ao contrário, se dá mal nas situações mais tolas e acaba se dando bem nas mais inusitadas. Tony conseguiu ainda a proeza de resumir vários personagens em apenas dois ou três, detalhes que só os mais atentos percebem, mas não escapam aos olhos dos fãs titãnicos. Uma leitura que remete ao rock dos anos 80, com todo o clima sexo, drogas e rock and roll."

(Samantha Luz/SP)

"É um livro que te envolve no mundo mágico do rock, com pitadas humor e mistério. Talvez muitos não se darão conta, mas, a cereja do bolo, é todo o toque 'familiar' que cada personagem carrega, que o digam os fãs de Titãs. Pra quem não identificar essa levada, é um prato cheio da mesma forma, além de ser uma leitura descontraída, que prende a atenção, conta com um final surpreendente. Livro no maior e melhor estilo sexo, drogas e Rock n' Roll, mas, como só Tony Bellotto saberia escrever! Recomendadíssimo!".

(Regiane Jodas/SP)